terça-feira, 29 de março de 2011

Internet ajuda artistas independentes a levar sua música, em português, para o exterior

A ida dos Oito Batutas para Paris em 1922, o concerto da bossa nova no Carneggie Hall, as noites brasileiras do Festival de Montreux, o Japão como mercado importante para os discos e shows de MPB... A vocação da música brasileira de sair de nossas fronteiras é antiga. Mais recentemente, porém, esse movimento parece ter ganhado uma nova face, muito menos grandiosa, mas que carrega uma riqueza própria em sua diversidade. Artistas independentes fazem pequenas excursões (Marcelo Frota e seu projeto Momo nos Estados Unidos, mesmo caminho seguido pela banda Cassim & Barbária), participações em festivais (Céu e Emicida no Coachella; Tiê e Holger no South By Southwest), e lançam CDs por selos estrangeiros (Dois em Um, Flávia Muniz, Tulipa Ruiz). A redução de distâncias trazida pela internet, com o desenvolvimento de ferramentas de redes sociais cada vez mais sofisticadas, está no centro desse processo quase generalizado no universo independente.

- Entrar em contato com músicos, produtores, radialistas de lá e mandar sua música era algo impensável - avalia Marcelo Frota, que em 2009 fez uma série de shows do Momo nos Estados Unidos a partir do convite para tocar no Chicago World Music Festival. - Imagina quando você ia conseguir falar com um cara como David Byrne, que recentemente pôs duas faixas do Momo numa playlist de sons indicados por ele. Myspace apresenta as bandas ao público estrangeiro Uma facilidade que funciona em duas mãos. A proliferação de gravadoras pequenas na última década - somadas às redes sociais e aos blogs em que circulam músicas, vídeos e informações sobre os artistas (produzidas pelos próprios e por fãs, críticos e jornalistas) - permite que os selos alcancem os músicos brasileiros. Foi o que aconteceu com a banda baiana Dois em Um, que teve seu disco de estreia lançado em 2009 por um selo americano, o Souvenir Records.

- Antes, as coisas funcionavam muito pela multinacional daqui, que se articulava com sua matriz para viabilizar a entrada de um artista em outro país - acredita o guitarrista Luisão Pereira, do Dois em Um. - No nosso caso, eles olharam nosso Myspace, gostaram, mandaram uma mensagem manifestando o interesse e apresentando a gravadora. Luisão identifica outro fator que ajuda a explicar o movimento:

- Agora a rapaziada está muito mais ligada em para onde está indo. Até alguns anos, não se tinha dimensão exata do terreno em que se estava pisando. Hoje todos os festivais estão na internet, com registros em vídeo. Há ferramentas que mapeiam onde nossas músicas estão sendo ouvidas. Temos entidades como a Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes), que conversa com esses festivais. E como as pessoas vão mais, você sempre pode se informar sobre um lugar com um músico amigo que esteve lá.

Os músicos notam também que a circulação de informação tornou mais aberta a visão sobre a música brasileira. Do Clube-da-Esquina-new-folk de Momo ao indie experimental de Cassim & Barbária, da nova MPB de Tulipa Ruiz ao rap de Emicida, a expectativa de selos e festivais estrangeiros sobre o Brasil vai muito além da ideia de batucada e bossa nova. Olhando por outro ângulo, cantar em português também não representa uma barreira automática. Às vezes, a abertura chega a surpreender os próprios artistas. Foi o que aconteceu com a vocalista do Luisa Mandou um Beijo, Flávia Muniz, que lançará pelo selo espanhol Elephant seu primeiro disco solo, assinado com sua banda, O Olho Mágico.


- Achei curioso um selo com perfil mais pop, mais indie, ter se interessado por um trabalho com uma cara de música brasileira, mais acústico, com elementos de samba, maculelê, com jeito de roça, de índio - afirma a compositora, que define o projeto como "pós-tropicalismo eletroacústico".

Com o Luisa, Flávia já tinha visto sua música circular. O primeiro disco da banda foi lançado na Inglaterra pelo selo Action Pop! e teve faixas em coletâneas que saíram em Cingapura, Japão, Itália e Alemanha. Para esses artistas, a satisfação pela circulação de sua música é maior que o retorno financeiro, quase sempre nulo. Há casos como a pioneira banda Autoramas - que conseguiu criar ao longo da última década uma estrutura para viabilizar turnês regulares pela América Latina - e Cansei de Ser Sexy, que, baseada na Europa, construiu um trabalho consistente e se tornou a maior banda brasileira em termos de visibilidade no exterior. Mas Rodrigo Lariú, proprietário do selo midsummer madness, chama a atenção para a dificuldade de fazer seu trabalho efetivamente circular no exterior.

- Tocar num evento como o South by Southwest, o maior festival independente do mundo, dá mais resultado no Brasil do que lá fora. É bacana aqui ter algo assim no currículo - diz. - O Cancei de Ser Sexy funcionou porque foi para lá apoiado por sua gravadora, mandou um produtor que fez um milhão de contatos antes de a banda ir, preparando o terreno. Um apoio lá, de alguém que possa garantir uma estrutura mínima, é fundamental para que se consiga firmar um trabalho fora do Brasil. Não é só tocar uma vez lá e esperar que vão adorar você e chamá-lo sempre. Mas está realmente mais fácil, pela moeda forte, pela internet e até porque antes uma banda nova que queria emplacar tinha a necessidade de lançar um CD e investia todo o seu dinheiro nisso. Hoje ela pode gravar, pôr as músicas na rede e usar o dinheiro para viajar. Luisão resume o espírito:

- A turma do barquinho a vela está chegando, conseguindo navegar.


Fonte: O Globo

sábado, 26 de março de 2011

No Brasil, 80% dos spam miram roubo de dados bancários

O objetivo maior da distribuição de spam no Brasil é o roubo de informações bancárias: são 80% dos casos, segundo uma medição divulgada nesta sexta-feira pela empresa de segurança Trend Micro. Em outros países da América Latina, este índice é de 40%, diz a companhia.

"Normalmente, estes e-mails são disparados das redes botnets, que são um conjunto de computadores ligados uns aos outros e podem ser controlados à distância por uma única máquina", informou a empresa em comunicado.

Para efeito de comparação, a maior motivação de spam na China é disseminar opiniões de ativistas, que protestam contra o rigor do governo para com a internet.

O estudo indica ainda que o spam não para de crescer e já se tornou um problema mundial. "No dia 14 de janeiro, o Brasil era o responsável pelo envio de 6,8% de todos os spams que circulavam no mundo, somente atrás dos Estados Unidos (10,3%) e da Rússia (8,9%). No mesmo dia, foram registrados cerca de 102 milhões de e-mails indesejados circulando na internet em todo o mundo. A América Latina responde por 20% destas mensagens", disse a companhia em comunicado.

"Um bom exemplo de ameaça que usa a engenharia social como inteligência são os ataques direcionados às redes sociais. Os cibercriminosos escaneiam comunidades e, a partir daí, conseguem informações sobre os gostos e costumes da maioria dos usuários. Em posse dessas informações, criam ameaças específicas para grupos com perfis similares, tornando a distribuição da ameaça mais eficaz", aponta a Trend Micro.

Notícias atraentes, reais ou não, também foram usadas para atrair os usuários --como mensagens sobre celebridades que teriam sofrido um acidente, contendo um link ou anexo que direcionava ao malware. Outro spam utilizou cartões postais on-line para levar os usuários a acessar links mal intencionados ou a fazer o download de anexos maliciosos.

A quantidade de spams distribuídos por essas redes é astronômica. "Só no Brasil, em 2010 circularam 300 milhões de mensagens indesejadas. Cibercriminosos compram e vendem produtos em nome de terceiros e fazem parcerias ilegais para roubar pessoas."

Entre as redes mais conhecidas mundialmente, estão Zeus e a Koobface.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Apenas 9% dos usuários de internet nos EUA compartilham arquivos

Somente 9% dos usuários de internet nos EUA usaram redes de compartilhamento de arquivos em 2010, segundo pesquisa da NPD Group divulgada nesta semana. Em 2007, esse número era de 16%.

A extinção do LimeWire, ordenada por um juiz federal dos EUA no final do ano passado, contribuiu para essa queda, segundo o estudo, embora outros serviços de compartilhamento tenham crescido por conta da migração de usuários órfãos do programa.

O site de tecnologia Ars Technica aponta, porém, que a pesquisa da NPD não dá uma visão completa da questão da pirataria, já que não contabiliza sites de download, como o RapidShare, e serviços ilegais de streaming (modalidade em que o conteúdo é reproduzido instantaneamente, sem a necessidade de baixar arquivos).

quinta-feira, 24 de março de 2011

Site permite que internautas insultem usuários do Facebook anonimamente

É o fim da hipocrisia on-line e o provável começo de uma onda de processos por difamação. Um novo site permite que os internautas escrevam, anonimamente, o que realmente pensam sobre os outros através do perfil das "vítimas" no Facebook.

O método é simples. Para começar a postar verdades (ou insultos) sobre alguém, basta introduzir na página do AboutEveryone o link para o perfil da pessoa na rede social. Como o site não exige qualquer registro, não há como ser pego.
Os comentários são, em geral, cruéis. Como esse, postado sobre uma pobre Izabela Embalo na quarta-feira:

"Seu marido Albert está te traindo. Ele tem amantes, dorme com outras mulheres por aí e você nem imagina heheh. Você é estúpida e inocente".

Embora os comentários não apareçam no Facebook - é preciso entrar no site para lê-los -, eles aparecem no Google, o que pode ser bem pior.

O site propõe um jogo perigoso aos internautas. Como qualquer um é capaz de postar comentários sem revelar a identidade, mentiras contundentes podem ser ditas sobre qualquer pessoas.

A página, ainda em versão beta, tenta se resguardar de futuros problemas judiciais dizendo que apenas oferece o serviço, e que os verdadeiros responsáveis pelo conteúdo são os internautas. Diz ainda que quem se sentir prejudicado terá, no futuro, a chance de remover o conteúdo que considerar ofensivo.

Agora, é esperar pelos processos dos usuários e do próprio Facebook.

domingo, 20 de março de 2011

Reguladora de domínios aprova sufixo ".xxx" para sites pornôs

A Icann (entidade que administra os domínios na internet) aprovou o sufixo ".xxx" para sites cujo conteúdo é pornográfico, segundo informou a entidade nesta sexta-feira.
Apenas três membros do conselho da Icann se opuseram à decisão. Outros quatro se abstiveram. Nove votaram a favor.

Segundo o site da revista PC Magazine, a indústria do entretenimento adulto protestou fortemente contra a decisão ontem.

Diane Duke, diretora-executiva da Coalizão da Liberdade de Expressão (que representa as empresas do ramo) disse que a decisão poderia encorajar a indústria a boicotar os novos domínios.

terça-feira, 8 de março de 2011

Preços altos estão entre os principais culpados pela pirataria, diz estudo

Um relatório sobre pirataria divulgado nesta segunda-feira (7), com foco em mercados emergentes, entre eles o Brasil, concluiu que os preços altos estão entre os principais culpados pela pirataria.

Com o nome Media Piracy in Emerging Economies (Pirataria de Mídias em Economias Emergentes, em tradução livre), o estudo abrange o Brasil, Índia, Rússia, África do Sul, México e Bolívia.

A pesquisa foi realizada pelo Social Science Research Council (Conselho de Pesquisa em Ciências Sociais, em tradução aproximada), uma organização americana sem fins lucrativos e com cerca de trinta e cinco pesquisadores e três anos de trabalho, segundo o site da organização.

FATORES
A introdução do estudo defende que "Altos preços para mídias, baixos salários e tecnologias digitais baratas são o principal ingrediente da pirataria global de mídias". O preço de uma cópia do Microsoft Office nos países pesquisados é cinco a dez vezes maior do que o dos EUA e Europa, indica o texto.

Entre outros pontos levantados estão: a falta de competição do mercado local, que favorece os altos preços; a pirataria faz parte da rotina dos habitantes, indicação de educação antipirataria pouco eficiente; grande distância entre as mudanças na legislação promovidas pelas companhias de mídia e aplicação das novas leis.

Também foi levantado que não há relação entre crime organizado ou terrorismo e a pirataria de mídias nos países estudados. Os comerciantes de mercadoria pirata, inclusive, enfrentam a competição com os produtos gratuitos, assim como os comerciantes do mercado legal, segundo a publicação.

Por fim, as sanções contra a pirataria praticadas há uma década não surtiram efeito na oferta de produtos piratas, diz o estudo.

DADOS

O capítulo referente ao Brasil é o maior da publicação, com 86 páginas de um total de 440. Ele foi coordenado pelo Instituto Overmundo e conduzidos por pesquisadores Centro de Tecnologia e Sociedade e FGV Opinião, ambos da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro. Foram realizadas cerca de 25 entrevistas formais e diversas informais.

A publicação está disponível integralmente, em inglês, sob uma licença chamada Consumer's Dilemma (literalmente, "Dilema do Consumidor"). Países "de alta renda", dentre eles EUA, Japão e Austrália, têm de pagar US$ 8 pelo estudo em versão digital, para uso não comercial. O país de origem é identificado por meio do IP da máquina.
CARLOS OLIVEIRA COM COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Facebook desenvolve sistema para alerta de suicídios

BBC BRASIL - O Facebook anunciou o lançamento de um sistema que permite que os usuários comuniquem à equipe do site sobre amigos que eles acham que podem estar considerando o suicídio.

A iniciativa é o resultado de uma parceria com a ONG britânica The Samaritans (Os Samaritanos, em inglês), após uma série de casos polêmicos de pessoas que anunciaram suicídios em suas páginas pessoais.

O novo dispositivo consiste em um formulário específico a ser encontrado na Central de Ajuda do Facebook, em que qualquer pessoa pode detalhar as preocupações que tem sobre outro usuário, dizendo seu nome completo, o endereço da página onde ele postou mensagens suspeitas e dando mais detalhes sobre os grupos a que ele pertence.

O formulário é enviado para a equipe de moderadores do site, que podem acionar a polícia imediatamente caso seja reportado algum caso de intenção de suicídio. Caso não seja necessária uma ação imediata, as informações serão encaminhadas à ONG britânica, que poderá entrar em contato com a pessoa para oferecer aconselhamento.

Segundo representantes do Facebook, sempre foi uma política da empresa notificar a polícia se um usuário estivesse em risco de dano corporal iminente. A ONG The Samaritans diz que o sistema está operando em modo de teste há três meses, durante os quais recebeu muitos relatórios genuínos e nenhum tipo de brincadeiras.

O mecanismo foi criado para ajudar a prevenir casos como o da trabalhadora voluntária britânica Simone Back, 42, que morreu no Natal de 2010 após tomar uma overdose de remédios. Back estava deprimida e escreveu sobre sua intenção de se matar em sua página do Facebook. Muitos de seus contatos no site comentaram a mensagem, mas nenhum deles acionou qualquer alarme.

Segundo a The Samaritans, o novo sistema não foi lançado em relação com um caso específico, mas para conscientizar as pessoas sobre as maneiras como podem obter ajuda. Em comunicado, a diretora executiva do grupo, Catherine Johnstone, disse que o sistema pretende "aproveitar o poder da amizade". "O Facebook é parte da vida diária de muitos de nós e devemos assegurar que as pessoas que estão online terão ajuda quando precisarem."

O diretor de políticas do Facebook para a Europa, Richard Allan, disse que, com o novo dispositivo, "os amigos serão encorajados a cuidar uns dos outros no Facebook, como fazem na vida real".

terça-feira, 1 de março de 2011

Músicos levam reivindicações ao MinC

O GLOBO - A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, será procurada nos próximos dias por um grupo representativo de músicos com dois pedidos: a criação da Secretaria de Música e a fundação de uma instância de fiscalização, arbitragem e regulação do Ecad (escritório de Arrecadação e Distribuição).

As duas reivindicações saíram de um encontro que reuniu na noite de quinta-feira, no estúdio Visom Digital, em São Conrado, durante quatro horas, Fernanda Abreu, Ivan Lins, Roberto Frejat, Leoni, Pierre Aderne, Dado Villa Lobos, Francis e Olivia Hime, Tim Rescala, Um Carvalho, Carlos Mills, Alberto Rozemblit, Cristina Saraiva, Dalmo Medeiros e Carlos de Andrade.

- O objetivo era uma tomada de posição do setor musical sobre os acontecimentos recentes relacionados a direitos autorais – diz Mills, da gravadora Mills Records.
Hoje, alguns desses músicos se encontrarão em São Paulo com colegas paulistas. Já estão confirmados nomes como Ná Ozzetti, José Miguel Osnik, Claudio Lins, Sergio Reis, Luiz Tatit, Alice Ruiz e Eduardo Araujo.

ATUAÇÃO NO CONGRESSO NACIONAL

Após a reunião, o grupo pretende ir à Brasília conversar com a ministra.

- O objetivo é propor uma mobilização permanente do setor para atuar inclusive no Congresso Nacional – explica Mills.

A compositora Cristina Saraiva diz que esse órgão de fiscalização do Ecad deve ser uma instituição autônoma, fora do Ministério da Cultura (MinC).

- Precisaria ser pensado com todo cuidado para evitar loteamentos políticos e outras mazelas que por vezes acometem órgãos semelhantes – observa.

- Também será necessário um assessoramento técnico para a sua criação. Instituição poderia ter o perfil de uma agência reguladora ou até mesmo de um instituto, nos moldes do INPI. O fundamental é que haja, além de pessoal de governo, representantes do nosso setor e da sociedade civil. A criação de uma instituição com este perfil não será fácil nem rápida, mas entendemos ser muito importante para um melhor encaminhamento das questões relativas a direitos autorais no país. Quando foi prevista a criação do Ecad, havia também uma instituição reguladora, o CNDA (Conselho Nacional de Direito Autoral). Uma instância fiscalizadora, reguladora e mediadora da atividade beneficiará todos que lidam direta ou indiretamente com direito autoral, ajudando a fortalecer o próprio Ecad.